A noite da apuração do 2º turno de 2026: números, horários e repercussão
O 2º turno da eleição presidencial de 2026 terminou com Lula (PT) reeleito. Pelo resultado oficial do TSE, com 100% das seções totalizadas às 23h27 de 25 de outubro, foram 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) para Lula e 59.826.041 (48,21%) para Flávio Bolsonaro (PL). A diferença foi de 4.430.191 votos.
No 1º turno, em 4 de outubro, a ordem tinha sido a inversa: Flávio terminou com 47,03% e Lula com 45,16%, segundo a Gazeta do Povo.
Fontes: TSE (2º turno, 100% apurado em 25/10/2026, 23h27) e Gazeta do Povo (1º turno, 4/10/2026). No 1º turno, o restante dos votos válidos foi para os demais candidatos.
Este texto reúne os fatos da noite e o que foi noticiado no Brasil e fora dele, sempre com a fonte. Nós acompanhamos a apuração ao vivo na página /apuracao2026, com os dados oficiais do TSE.
A prorrogação da votação
O fato que marcou o dia aconteceu antes da contagem. Segundo a cobertura ao vivo da Bloomberg Línea (horários de Brasília):
- 16h32: a campanha de Lula pediu ao STF que a votação fosse prorrogada, alegando falta de ônibus para eleitores em cidades da Bahia.
- 17h11: o ministro Zanin, do STF, prorrogou a votação até as 19h em todo o país.
- 17h41: o Ministério Público Eleitoral se manifestou contra a prorrogação.
- 18h12: o TSE orientou que só continuassem funcionando, até as 19h, as seções que ainda estavam abertas.
Mais cedo, às 13h58, Fachin, presidente do STF, tinha declarado que o resultado das urnas deveria ser respeitado. Às 17h55, a OEA pediu serenidade e respeito ao resultado.
À noite, o presidente do TSE, Nunes Marques, afirmou que nunca tinha havido uma prorrogação desse tipo na história do tribunal e que a decisão não foi convencional, de acordo com a mesma cobertura. Segundo a Fox News, ele também disse que a prorrogação não afetou o resultado.
A contagem
Os primeiros números parciais saíram por volta das 17h, e a divulgação foi interrompida logo em seguida. Na nossa página, o percentual apurado ficou parado em 0,25% até perto das 19h, refletindo exatamente o que o TSE publicava. A divulgação foi retomada às 19h03, segundo a Bloomberg Línea.
A partir daí, segundo a mesma cobertura:
- 19h46: Flávio assumiu a liderança, com 13,98% das seções apuradas.
- 20h26: Lula voltou à frente.
- 20h53: o Datafolha projetou a vitória de Lula.
- Por volta das 21h10: com 98,27% das seções apuradas, Lula foi apontado como reeleito.
Percentual dos votos válidos já apurados nos 27 estados, em cada atualização do TSE que registramos entre 19h10 e 21h38. Passe o mouse sobre a linha para ver hora e percentual apurado.
O comparecimento foi de 128,2 milhões de eleitores, 80,8% dos 158,7 milhões aptos a votar, o que corresponde a uma abstenção de cerca de 19,2%, segundo dados do TSE citados pela Bloomberg Línea.
As falas dos candidatos
Lula discursou às 22h45. Disse que não tem mais adversário e que vai governar para os 215 milhões de brasileiros. Também defendeu a regulação das plataformas digitais (Bloomberg Línea).
Flávio Bolsonaro falou às 22h53. Classificou a prorrogação como inaceitável e disse ser impossível reconhecer os dados da eleição (Bloomberg Línea). Segundo a Fox News, que cita a Associated Press, ele afirmou que a prorrogação mudou as regras no meio do jogo e pediu a anulação da eleição. A mesma reportagem ouviu juristas que consideram alta a barreira legal para uma anulação.
A repercussão política no Brasil
Aliados de Flávio, como Nikolas Ferreira e Rogério Marinho, chamaram a decisão de Zanin de ato político. O deputado Van Hattem anunciou um pedido de impeachment do ministro. Tarcísio de Freitas acusou o PT de tumultuar a eleição. Do outro lado, Guilherme Boulos comemorou a prorrogação (Bloomberg Línea).
Sobre o cenário daqui em diante, a Gazeta do Povo lembra que o PL terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado a partir de fevereiro de 2027, o que deve exigir negociação do governo com os partidos de centro.
A repercussão no exterior
A agência Reuters reuniu as reações de chefes de governo à reeleição, entre eles a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum (via Yahoo News, 26/10).
A Al Jazeera (26/10) registrou que o governo da China e o Kremlin cumprimentaram Lula. Nos Estados Unidos, a emissora não encontrou declaração direta do presidente Donald Trump. Ela relatou críticas ao resultado por causa da prorrogação, como a de Donald Trump Jr., e manifestações de políticos democratas, como o deputado Ro Khanna, que pediu a Trump que respeite o resultado.
A Euronews (26/10) destacou as mensagens de líderes europeus. Von der Leyen afirmou que a democracia e o multilateralismo saíram vencedores no Brasil, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, telefonou a Lula na noite de domingo. A mesma reportagem registrou que Flávio não aceitou o resultado.
Na leitura da imprensa estrangeira, o resultado aparece como um freio ao avanço da direita na América Latina, enquadramento atribuído à Bloomberg pelo Latin Times.
O que vem agora
O resultado oficial é o do TSE. O pedido de anulação anunciado por Flávio Bolsonaro, as próximas etapas da Justiça Eleitoral e o pedido de impeachment do ministro Zanin devem ocupar as próximas semanas. Vamos acompanhar.
Fontes
- Bloomberg Línea, cobertura ao vivo de 25/10/2026: link
- Gazeta do Povo, 25 e 26/10/2026: link
- Fox News, com informações da Associated Press, 26/10/2026: link
- Reuters, via Yahoo News, 26/10/2026: link
- Al Jazeera, 26/10/2026: link
- Euronews, 26/10/2026: link
- Latin Times, 25/10/2026: link
- Resultado oficial: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)